E Foi Assim…

 

Preferi deixar o tempo passar um pouco, rever as fotos, assistir os videos, as entrevistas, ler resenhas, relembrar e digerir. Tudo isso pra entender o que aconteceu na semana passada no TIM Festival – pelo menos o que eu vi.

Começando pela quinta, com as “Novas Raves”, pontualmente às 21:30. O clima não era o de festa. Uma chuva forte, em um dia de semana, cheio de transito, com o cancelamento de um dos shows da noite, e o cansaço deve ter afetado os paulistanos. O Neon Neon fez show competente, divertido em alguns momentos, mas que não chegou a empolgar nem ao público, nem a mim mesmo. Mesmo com as boas batidas, o show embalou mesmo no fim, quando a voz misteriosa que aparecia a cada intervalo de música deu as caras: Har Mar Superstar aparece saltitando. Um unicórneo com uma pancinha de fora, camiseta babylook e mangas cobertas de lantejoulas douradas. Serviu bem para abrir o apetite e para deixar todos animados.

O guitarrista Simon Taylor-Davis e o baixista Jamie Reynolds do Klaxons

O guitarrista Simon Taylor-Davis e o baixista Jamie Reynolds do Klaxons

Com uma pontualidade inacreditavel sobe ao palco o Klaxons. Desviando das goteiras, se colocam nos seus lugares e com uma breve apresentação começam o show com Bouncer, do EP Xan Valley de 2006. Um soco no estômago – e vários pisadas no pé. A banda já entrou em campo com o jogo ganho – como eles mesmo disseram, eram “os reis da noite”. Então a partir dai, foi mole. Todos os “clássicos” estavam lá, e a plateia tambem. No fim acabaram fazendo um show bom, mas que não explorava todo o potencial da banda. Musicas como Atlantis to Interzone, It’s Not Over Yet, Magik, As Above, So Below funcionam bem ao vivo, mas funcionariam melhor em 2007… Talvez tenha sido pelo pouco público – menos de metade da arena -, pelas goteiras no palco, nervosismo, ou qualquer outra coisa do tipo; não importa. Foi bom, mas nao foi inesquecivel nem memoravel. A cereja do bolo foi a reaparição do MC Har Mar Superstar no fechamento do show, dançando hipnóticamente e encochando sem camisa o quarteto de Londres enquanto tentavam finalizar o show com Four Horsemen Of 2012. Agora sim inesquecivel e memorável.

MC Har Mar Superstar e o Klaxons no encerramento da festa de quinta-feira

MC Har Mar Superstar e o Klaxons no encerramento da festa de quinta-feira

No sábado mudou tudo. Pra começar o espírito era outro. Todos bem a vontade, grande parte deles caracterizados para o que estava por vir – ai sim o clima era de festa. A arena estava quase lotada para os shows do The National e MGMT e todo seu Hype. Começa com o Cérebro Eletrônico, fazendo um bom show pra aquecer as poucas pessoas que estavam do lado de dentro e de fora da tenda montada no Ibirapuera. Sai a música eletrônica e entra o The National. Um clima soturno começa a se criar dentro da arena com o som da banda que é um mix de Arcade Fire, Interpol e Broken Social Scene. O coletivo de 8 musicos fez um show absurdamente competente cheio de energia e entrega. Mesmo sem nenhum de seus quatro albuns terem sido no Brasil a banda demonstrou tranquilidade entusiasmo e muita simpatia. Hits como Start A War, Brainy, Slow Show, Mr. November, e About Today, que finalizou o show, fez a platéia dançar, admirar e observar com espanto o desempenho da banda. O tipo de show que me deixa triste por nao ter conhecido antes uma joia dessas.

O coletivo do Brooklyn The National

O coletivo do Brooklyn The National

Com o fim do show do The National, muita gente sai do gargarejo dando lugar aos fanáticos pelo MGMT. Mais uma vez uma banda iria encarar a arena quase vazia?

Entra o tecladista Ben Goldwasser para fazer a trilha sonora do julgamento e do enforcamento de ursinhos de pelúcia feitos pelo vocalista Andrew Vanwyngarden e o restante da banda. Feito o teatrinho, começa o show de verdade com 4th Dimensional Transition, seguida por Pieces Of What. O rock é presnete, o som é ensurdecedor e o clima é de anos 70. Nada de bases eletrônicas. O negócio aqui é o progressivo do Pink Floyd e do Emerson, Lake & Palmer. Mas a coisa só embala mesmo quando começa Of Moons, Birds and Monsters. Ai é mamata: Weekend Wars – “the next song is about the beach” avisa o vocalista-, The Youth e Electric Feel. Pronto, jogo ganho. Mas a banda tropeça com a inclusão de Metanoioa, musica nova da banda que fez o show esfriar. Uma musica que ninguem conhecia, baseada em diversos improvisos chegando ao total de 15 minutos. Mas quando o desânimo já começava a bater vem Time To Pretend e rende as quase 3.000 pessoas que estavam na arena. Para finalizar a banda larga os instrumentos e o Rock ‘n Roll para a chegada de Kids, o golpe final. E toda a arena vem abaixo. Já não tinha mais como não se entregar à brincadeira.

Andrew Vanwyngarden do MGMT - Perdido no tempo

Andrew Vanwyngarden do MGMT - Perdido no tempo

 Os créditos das fotos são do próprio.

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