All-About-That-Bass

Por que eu odeio a música “All About That Bass” (ou a minha incapacidade de entender como sororidade ainda não acontece)

Acho incríveis todas as formas de empoderamento feminino, principalmente na música, – espaço ainda absolutamente dominado por homens – ainda mais quando é feito por artistas que fogem dos padrões estéticos impostos. A música All About That Bass da Meghan Trainor tinha tudo para ser um hino de auto amor, se ela não tivesse dado algumas escorregadas, que considerei imperdoáveis.

Primeiramente, ela diz algo como “eu tenho o boom boom que os garotos procuram”, e logo em seguida ‘’minha mãe disse pra não me preocupar com meu tamanho, porque os garotos gostam de algo pra apertar a noite’’. Sério mesmo Megan? Você acha que não deve se preocupar com seu tamanho porque ele agrada os outros (e nesse caso são os homens) e não você mesma?

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O importante é se amar e só isso. Não precisa desmerecer as outras para que isso aconteça!

Isso é machismo descarado! Não ensine isso para as garotas! Ame seu corpo porque VOCÊ gosta! Até ai já é ruim, mas ela continua fazendo uma coisa que, de tão comum, às vezes passa despercebida. Ela faz um shamming, termo criado para envergonhar alguém por algo, e ataca as magrelas com um body shamming, usando termos como stick figure (boneco de palito) e plastic barbie doll (boneca barbie de plástico) pra se referir a garotas magras, e usa um termo que deveria ser abolido da vida (e que a Nicki Minaj também adora usar): SKINNY BITCHES (vadias magras).

skinny

Cenas do “duelo” entre a magrela fútil e plástica e o gordinho feliz da vida. Por que não podemos todos nos amar sem diminuir o próximo, Meghan?

Garotas, sério mesmo, PAREM DE SE XINGAR. Estamos em 2015, Patrícia Arquette falando sobre desigualdade salarial no Oscar, Katy Perry cantando contra violência doméstica no Grammy, Beyoncé fazendo apresentação com FEMINIST escrito no telão e milhares de lutas importantíssimas das mulheres, que deveriam se unir, e não criticar umas as outras, tentando diminuir quem é diferente de você somente para se encaixar e se aceitar melhor em uma sociedade pautada em estética! Sororidade galera! Afinal com comportamentos assim nada se muda e só perpetua comentários maliciosos e nada produtivos sobre outras mulheres, que passam pelas mesmas coisas que você. feminist Enfim, fico triste e muito p*ta da vida que, ainda hoje, um discurso de aceitação do seu próprio corpo utilize de ferramentas como machismo e bullying para se manter. Como diria Caetano: “Não me venha falar na malícia de toda mulher, cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”. E #fikdik: http://www.youtube.com/watch?v=VBmMU_iwe6U

4 comentários sobre “Por que eu odeio a música “All About That Bass” (ou a minha incapacidade de entender como sororidade ainda não acontece)

  1. Larissa disse:

    sou mulher e, sinceramente, odeio esse conceito de sororidade. Não sou obrigada a amar/apoiar outra pessoa só porque compartilhamos do mesmo gênero. Feministas querem tornar todas as mulheres santas, e esquecem de ver que existem mulheres tão desprezíveis e canalhas quanto os piores homens que já existiram. Ter educação e respeito perante os outros é uma coisa, agora, obrigação de gostar, não tenho. E tambem não quero que gostem de mim. Ainda mais se for um bando de garotas que sofreram dessa lavagem cerebral chamada feminismo.

  2. Tiago Pirata disse:

    Poh.. Tem anos que é assim.. Acho que a geração que veio depois de Gwen Stefani é tudo assim.. Infantil! E eu reclamava de Britney.. Cristina.. Didi da MTV. Haha.

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