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#MusicMonday 12 bandas de mulheres atuais que quebram a banca

Em pleno século 21 é difícil acreditar como as mulheres ainda batalham por espaço na música atual. Fora o pop, onde reinam quase absolutas – e para muitos é aonde elas pertencem e de onde nunca deveriam ter saído – é difícil ver mulheres sendo levadas à sério em qualquer outro estilo, coisa que não mudou muito desde que pioneiras como The Runaways, Heart e Blondie tentaram quebrar o tabu absoluto das mulheres na música, especialmente em posições fora do combo clássico voz-e-piano.

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Debbie Harry (Blondie), cigarrinho de artista e Joan Jett (The Runaways) em 1977, clicadas por Chris Stein

Nos festivais atuais a discrepância entre os gêneros é ainda mais clara. Nas três primeiras edições brasileiras do Lollapalooza foram assombrosas 15 MULHERES que ousaram pisar no palco do festival (nem vamos falar quantos homens foram, por que aí sim o negócio fica ridículo), sendo que DUAS ainda tiveram a audácia de estarem numa banda headliner (as lindas Régine Chassagne e Sarah Neufeld, do Arcade Fire, na edição 2014).

regine

– Não enche não que tô aqui sambando no patriarcado – Chassagne, Régine

A própria Björk, nome mais que estabelecido no cenário da música mundial, comentou em entrevista recente ao site Pitchfork sobre a dificuldade que a mídia tem em acreditar que ela tinha produzido o seu disco junto com Arca, produtor de Kanye West e FKA Twigs. Ela comentou, certeiramente, que “Tudo o que um homem diz uma vez, uma mulher tem que dizer cinco” e que, para suas ideias serem levadas à sério, é necessário que as pessoas acreditem que elas vieram de um homem também, além do fato que metade das vezes a mulher precisa se fazer de boba para conseguir o que quer no meio.

30 anos de carreira e ainda assim qualquer homem creditado em seus trabalhos leva o mérito de ter feito tudo. É mole?

30 anos de carreira e ainda assim qualquer homem creditado em seus trabalhos leva o mérito de ter feito tudo. É mole?

Marina Diamandis, vocalista da Marina and the Diamonds e uma das atrações do Lollapalooza 2014 (que mantém a baixíssima quantidade de mulheres em seu line em mais uma edição só com homens nos horários mais nobre) também comentou sobre as “mulheres na música” e as tamanhas dificuldades em ser levada à sério na música. Para impedir comentários de que foi “ajudada” por homens em seu disco mais recente, “Froot” (2015), ela fez questão de compor tudo absolutamente sozinha, do mesmo jeito que Beck fez em seu último disco “Morning Phase” (2014). “Fiz questão de não compor com ninguém, porque é o único jeito de provar que escrevi o disco inteiro”, disse a cantora em entrevista, e a verdade é, alguém pode culpá-la? :S

Confira a lista (brevíssima e que com certeza deixa muita coisa boa de fora) das minas que quebram a banca na música atual em diversos estilos, e que com certeza merecem uma chance no seu iPod lotado de bandas com cromossomo Y.

Lissie

lissie

Sendo mulher com rostinho bonito e cabelos loiros costuma dificultar em quase 100% o quanto te levam à sério na música. Quantas já não passaram por esse problema, especialmente se a bonita em questão segura uma guitarra nas mãos, afinal, né, mulher tocando guitarra? Você só pode estar de brincadeira com a minha cara. Eis que Lissie entra na lista para renegar os seus preconceitos musicais. A moça é de Illinois, EUA, e quebra a banca com seu indie folk maravilhoso, que deixa no chinelo muita bandinha de marmanjo que estoura nas rádios. Com um timbre grave e pra lá de sexy, a compositora, vocalista e guitarrista já abriu turnê para Lenny Kravitz e faz um som agradabilíssimo. Taca-le o play Marcos!

Blood Red Shoes

blood red shoes

Quantas vezes você já ouviu pessoas comentando que a Meg White era a metade medíocre dos White Stripes, mulher na bateria, rídiculo etc etc. Ok, ok, o Jack White poderia ser realmente o gênio criativo da dupla, mas o Red Blood Shoes veio equilibrar essa equação, com a bela Laura-Mary Carter quebrando a banca com riffs pancadaria em sua guitarra. A dupla britânica, que ainda conta com Steven Ansell na bateria e dividindo os vocais, é uma mistura acertada de muita coisa que você já ouviu, só que diferente. Sonzeira, pancadaria, riffs incríveis, uma belíssima divisão de vocais, e uma dupla que merecia muito mais o hype que umas tais duplas musicais andaram recebendo por aí nos últimos anos. Aperta o play logo vai.

HAIM

haim

A banda formada pelas irmãs Danielle, Alana e Este Haim vem de Los Angeles, EUA e é provavelmente uma das mais conhecidas da lista graças ao sucesso da faixa The Wiree elas mostram que mulher tocando guitarra, baixo e tudo o que quiser, pode sim! As letras tem uma pegada coração-partido-absolutamente-sem-melodrama – afinal né, mulheres, sempre tão dramáticas falando sobre emoções (soqn) – e grande influência do groove dos anos 70, um bocadinho de Michael Jackson nos anos 80 e belas pitadas de rock indie atual. Seu único cd foi seu debut de 2013, Days Are Gone“, que já garantiu a participação da banda no circuito de festivais de música internacional.

Brody Dalle

brody

O nome mais controverso da nossa lista é de longe uma das mulheres mais odiadas da música. O motivo? Brody era a vocalista e líder da banda punk australiana The Distillers, e casada com um dos grandes ícones punk, Tim Armstrong, vocalista do Rancid. Tudo ia maravilhosamente bem no relacionamento mais punk desde Sid Vicious e Nancy Spungen, até que, em um belo ensaio sobre os “monstros do verão”, Brody e Josh Homme (vocalista do Queens of the Stone Age) se conheceram, e o resultado foi essa foto:

brody

Traição registrada em foto de estúdio, pode isso Arnaldo? #AmigaAssimFicaDifícilTeDefender

Digamos que dá pra entender bem o motivo do fim do casamento – que acabou dando início ao atual casamento de Brody e Josh – e bom a internet e os fã-clubes foram a loucura com a história toda. A cantora e guitarrista ainda teve mais um projeto, o Spinerette, que contava também com o multiinstrumentista do QotSa, Alain Johannes. A banda acabou, mas em 2014, ela lançou seu primeiro álbum solo “Diploid Love“, que em nossa humilde opinião é também um dos melhores do ano. A mãe de dois continua quebrando a banca até hoje, e contou com parcerias de peso para seu debut: Alain Johannes, que contribui com muitos dos lindos arranjos do disco, Michael Shurman (QotSA), Shirley Manson (Garbage, e que por sinal faz uma participação em uma das mais surpreendentes canções do disco, Meet The Foetus (Oh The Joy)), Nick Valensi (The Strokes) e Emily Kokal (Warpaint). Discasso.

FKA Twigs

fka twigs

Poucas bandas são conhecidas por prever a sonoridade do que virá nos próximos anos (ou décadas) e inseri-la em seus discos atuais. Radiohead, Björk e Beck são alguns deles, mas a novata FKA twigs (apelido da cantora jamaicana-inglesa Tahliah Barnett) já tem tudo para entrar na seleta lista com apenas um álbum. A sonoridade da dançarina e cantora vai desde vocais inspirados em obras eruditas e gospel, mesclando sons que evocam Massive Attack e Portishead, além de uma razoável referência de beats eletrônicos e hiphop, já que o produtor de seu debut foi Arca, que produziu apenas para o Kanye West. Basicamente qualquer lista que não colocou “LP1” entre os melhores discos de 2014, simplesmente não pode ser levada à sério, já que fazia tempo que algo tão novo, fresco e inovador aparecia por aí. Essa mulher é demais (e os lives dela, com suas danças absurdas, são ainda mais magníficos).

Best Coast

best coast

Se uma banda pudesse ser eleita o som mais perfeito para uma roadtrip de verão, essa com certeza seria o Best Coast (mas admitimos que ela também é perfeita para dias de sol no geral, especialmente na piscina tomando seus bons drink, rolando na grama e sendo feliz). Formada Los Angeles, California em 2009, o duo (que virou trio) conta com Bethany Cosentino nos vocais e guitarra, Bobb Bruno na guitarra e Ali Koehler na bateria e percussão (afinal mulher não toca batera etc etc etc). Foram dois álbuns lançados até hoje, com sonoridade na pegada do surf rock dos anos 50/60, ambos digníssimos e trilhas sonoras para o seu verão. Sonzeirinha good vibes que merece uma chance😉

Purity Ring

purity ring

O duo canadense de electro-pop, dreampop ou sei lá que termo bizarro-e-idiota-deram-para-esse-estilo é formado por Megan James (vocais) e Corin Roddick (instrumental). A banda é daquele estilo mais música pra sonhar (taí o motivo de dreampop) e já consta na lista de lançamentos do ano com seu segundo álbum “Another Reality” (2015) com referências de batidas hip-hop bem mescladas com seus sintetizadores e vocal doce. Se você é do eletrônico, curte uma bela brisinha, esse som é acerto para você. Arrasa no play.

(bjork, passion pit, flying lotus)

Delta Rae

delta rae

Folk americano tem espaço e tem mina sim! E se não gostar tem até duas! A banda formada pelos irmãos Ian (guitarra e vocais), Eric (vocais, piano, guitarra) e Brittany Holljes (vocais) conta ainda com Elizabeth Hopkins (vocais) Mike McKee (percussão) e Grant Emerson (baixo). Eles são de South carolina, tem uma influência monstruosa de música negra e as minas simplesmente detonam nos vocais. Em seus shows rolam diversas percussões interessantes, e a música, que chega a flertar com o country, é bem aquele som de caipira maravilhoso que tantos tentam imitar, mas que com eles deu muito certo. Eu já falei que elas cantam demais?

Ex Hex

ex hex

O Ex Hex entra para a gloriosa galeria de bandas rock formadas por mulheres que merece a sua atenção. Formada em 2013, o trio formado por Mary Timony (vocal e guitarra), Betsy Wright (baixo) e Laura Harris (bateria) já causou com seu primeiro álbum, “Rips” que entrou para várias listas de melhores álbuns 2014 (inclusive a nossa). Com levadas punkrock que chegam a lembrar os gloriosos riffs dos Ramones, mescladas com indie, pode aumentar o volume que esse disco é sonzeira do começo ao fim!

Sleigh Bells

Sleigh-Bells

O duo americano do Brooklyn é formado por Alexis Krauss nos vocais e Derek Edward Miller na guitarra, e tem sonoridade pop suja daquelas que pilha a pista todinha. Os vocais são agudos na medida certa, o som é pesadinho e dançante demais e o duo já lançou três álbuns, sendo “Bitter Rivals” (2013) o seu último trabalho [e um disco bem, bem, bem dançante e modernoso]. Se você não resiste à um som agitado pra se acabar, eles são a sua escolha certa.

Sleater-Kinney

Sleater-Kinney

É no mínimo trágico que uma banda tão absurdamente boa formada só por mulheres não mereça o crédito que deveria. Criada em 1994, em Washignton, EUA, o Sleater-Kinney é formado por Corin Tucker (vocais e guitarra), Carrie Brownstein (guitarra e vocais) e Janet Weiss (bateria). Os riffs são impecáveis, o som absolutamente dançante e delicioso, melodias gostosas de ouvir, sintonia absoluta, letras cativantes, basicamente tudo que faria uma boa banda de rock estourar mundo afora (especialmente com 21 ANOS de carreira), mas né, mulher não sabe fazer nada direito. Será? Ou será que o buraco é um pouco mais embaixo? Ouça e aprecie a sonzeira absoluta das minas, que lançaram seu oitavo disco de estúdio, “No Cities To Love”, esse ano, e merecem um espaço no seu coração amante de rock, por que elas realmente são fodas.

Sentiu falta de alguém? Deixe a banda nos comentários!😉

Imagens: Divulgação/Internet

9 comentários sobre “#MusicMonday 12 bandas de mulheres atuais que quebram a banca

  1. Tainara H. (@TaiHijaz) disse:

    Uma banda com vocal feminino injustamente desconhecida e que eu recomendo em qualquer oportunidade é Company of Thieves. Banda excelente, pena que durou só dois álbuns. Recomendo especialmente o segundo, de 2011: Running From a Gamble. Ótima lista! ;D

    • Chloe disse:

      Valeu a dica Tainara! Vamos checar agora mesmo! E uma banda incrível que não lança nada há um bom tempo é o Autolux, se tiver um tempo dá uma olhada!

    • Chloe disse:

      Já estamos considerando até uma faixa bônus para incluir Warpaint (maravilhosas!!) e mais algumas sugestões de leitores! Valeu pela dica e que bom que você curtiu a listinha! \o/\o/

  2. Vinícius Simões disse:

    Vou deixar 3 sugestões (isso pq surgiram várias, mas me contive rs):

    A primeira é a maravilhosa Elizabeth & the Catapult (Elizabeth Ziman). Além do som dela ser incrível, quando surgiram as diversas acusações de estupro do Bill Cosby ano passado ela fez questão de se posicionar no Facebook e ressaltar a importância de se ouvir as vítimas e não deixar o agressor impune, independentemente do fato de ele ser uma personalidade cuja obra é importante (https://www.facebook.com/elizabethandthecatapult/posts/10152861468324594).

    A segunda é Dengue Fever, uma banda de Los Angeles que mistura rock psicodélico com música pop do Camboja (!). O nome da vocalista é Chhom Nimol, e a moça manda muito bem.

    Por fim, a francesa Melody Prochet, vocalista do projeto Melody’s Echo Chamber. Ela tem um disco homônimo lançado em 2012, produzido pelo Kevin Parker (vocalista do Tame Impala) e tem um disco previsto para sair ainda esse ano.

    É isso, espero ter contribuído🙂

    • Chloe disse:

      Hahaha veja bem samuel, é que resolvemos dar espaço pra bandas mais desconhecidas, que não tocaram na radio e tudo, mas é bem possível que ela entre numa das próximas edições dessa lista, pq recebemos tantas indicações que não podemos deixar por isso mesmo! Valeu😉

  3. Rafaela Silva disse:

    Só pra contar, eu amo a Brody Dalle. A voz dela é incrível e combina muito com o seu estilo. Foi e ainda é uma grande inspiração de ícone do rock punk! Maravilhosa. Aliás, em qualquer lugar que ela cantar e estilo musica (desde o mais pesado ao mais suave) a voz dela sempre me causará arrepios.

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